domingo, março 01, 2015

Preparar o barco...







Preparar o o velho barco para navegar rumo ao norte


Vemo-nos em Brest no meio das velas marinheiros e canções do mar...

http://galiciaenbrest.org/interior.php?txt=arbore_web4&lg=gal

THOPAGA




NAUFRAGIO - NAUFRAGE – SHIPWRECK


«Diario de Ibiza»:




El `Thopaga´, pailebote de madera de dos palos con base en Eivissa, se hundió en la madrugada de ayer frente a las costas de Bretaña, al noroeste de Francia, tras sufrir una vía de agua cuando se dirigía a la ciudad francesa de Brest para participar en una concentración de barcos. Los nueve tripulantes de la embarcación pudieron saltar sin sufrir daños a una balsa hasta que fueron rescatados.Según la Prefectura Marítima del Atlántico, se recibió una señal de socorro alrededor de las 3 horas de la madrugada procedente del `Thopaga´. Una de las propietarias de la nave, Nicole Legler, explicó que estaban a unas treinta millas de la costa de Brest cuando «el barco cogió agua». «No sé qué ha pasado, si tocamos algo o chocamos con algo flotando en el mar», explicó Legler, que precisó que, pese a haber navegado los últimos dos días con mala mar, en el momento del suceso estaba «todo calmado».

Un portavoz de la Prefectura Marítima del Atlántico atribuyó el origen del suceso al desprendimiento de una de las placas de madera del casco.Los tripulantes trataron de evacuar el agua, pero entraba más de la que extraían, por lo que decidieron abandonar la embarcación. Contactaron por radio con la estación de Salvamento Marítimo de Francia y saltaron a una pequeña balsa de cinco plazas que portaban para aguardar a ser rescatados. Poco después llegó un helicóptero de la Marina francesa, al tiempo que se desvió a la zona, a unos 65 kilómetros al suroeste del cabo de Penmarc´h, una embarcación de la línea Britanny Ferries que navegaba desde España hasta Gran Bretaña.

Cinco de los tripulantes del `Thopaga´ fueron trasladados en el helicóptero hasta el ferry, que continuó con ellos su camino hacia Plymouth. El resto, los otros cuatro, fueron recogidos en un segundo viaje por la aeronave y trasladados a tierra, a una base militar próxima a Brest, ciudad donde se encuentran en estos momentos, entre ellos Legler. Los otros llegarán desde Inglaterra en otro ferry. «Nos hundimos rápidamente. Tuvimos tiempo de hacer lo necesario para coger a todos, las cosas mínimas, y saltar a la balsa. Nadie cayó al agua», afirmó la propietaria de la embarcación, que insistió en que todos estaban bien. «Fue muy doloroso verlo hundirse con las velas blancas» desplegadas, recordó.

El viaje a BrestEl `Thopaga´, construido en 1924, había partido de Eivissa el 23 de junio y, tras hacer escala en Vigo, se dirigía al puerto bretón para participar en una concentración de barcos que se celebra del 11 al 17 de este mes. «La organización esperaba este barco como personalidad de Balears», afirmó Legler, que recordó que todavía cuentan con el Cala Millor, construido en Palma en 1946, cuya llegada está prevista para hoy. «Es una pena. Desde el año 2000 [la organización] quería que el `Thopaga´ participara», insistió Legler.«Es una desgracia que no entiendo. El `Thopaga´ ha ido a Australia, ha participado en muchos eventos de este tipo. Para nosotros y para todos es una gran pérdida», añadió. Preguntada sobre la posibilidad de reflotarlo, la propietaria dijo que estudiarán si es posible, dado que se encuentra a bastante profundidad.

El `Thopaga´ comenzó su trayectoria con el nombre de `Tres hermanos´. En 1926, los juzgados de Águilas y Almería lo embargaron en tres ocasiones. Cuatro años después, cambió su puerto base de la Península por el de Palma, tras ser rebautizado como `Cala Tuent´. En 1932 su propietario lo vendió a una naviera que lo utilizó hasta 1966, cuando fue adquirido por la armadora ibicenca Hijos de Abel Matutes Torres. Doce años más tarde, el barco pasó a manos de los actuales dueños, Circumnavegaciones, que lo rebautizaron como `Thopaga´ y lo restauraron por completo. Su viaje más importante lo haría en 1987, tras ser contratado para asistir como abanderado del Comité Francés a los actos del segundo centenario de Australia, un trayecto en el que se enfrentó a duras condiciones de navegación. Tras esta expedición, el `Thopaga´ no regresaría al puerto ibicenco hasta hace ocho años, cuando estableció su base en la isla.El pasado mes de junio, el Ayuntamiento de Vila anunció que había iniciado el expediente para que el Consell Insular de Eivissa protegiera el pailebote declarándolo Bien Catalogado. Entre otros aspectos, se tuvo en cuenta la intención de los propietarios de conservar Eivissa como puerto de base.




É com um aperto enorme no coração que soube da noticia. Em Novembro passado estivemos todos juntos a bordo a comer e a beber como fazem os marinheiros quando se juntam. Quem anda no mar sabe que a fatalidade acontece sem nos dizer.
Um abraço salgado companheiros. Vemo-nos em Brest


João marinheiro

sábado, novembro 01, 2014

Novembro

 


Tenho o mundo na tela do monitor
E recortado no aro da porta.
Escrevo-te de memória
Com o desejo na ponta dos dedos
A arritmia no coração
A saudade no olhar…


João Marinheiro
S. Paio de Antas 1 Novembro 2014
Fotografia de Barcoantigo 2014

terça-feira, setembro 02, 2014

Destroços...

 
 

Resta-me esta espécie de esqueleto meio submerso, meio encoberto pelas areias...um dia fui barco, com vida e vidas dentro...Já não tenho coração embora reste a hélice cansada de tantas revoluções por minuto...Olham-me e nem sonham quantas milhas naveguei...quantas despedidas no cais, quantas chegadas...

João Marinheiro 02 Setembro 2014

Fotografia da Net

domingo, março 02, 2014

ausência...

 
 
Que segredos guardam os teus olhos...
 
João marinheiro,  Inéditos,Fevereiro 2014
Fotografia de Jorge Bacelar, www.olhares.com

domingo, novembro 24, 2013

Cartas...



Não sei por onde começar

Gostava de te escrever uma carta. Sim, uma espécie de carta das viagens das idas e das vindas. Das partidas. Dos reencontros. Dos abraços. Das lagrimas. Dos lenços brancos enquanto o navio se afastava do cais e nos levava de encontro a Africa e á guerra.
Não consigo escrever-te uma carta.
Fomos tão breves os dois, tão breves que dói, e as pontas dos dedos dilaceram-se de encontros ao vazio que ficou.

 Gostava de poder tocar-te novamente. Afagar os teus cabelos e murmurar-te ao ouvido em ruídos de água na levada que és tão bonita. Olhar-te nos olhos outra vez e ver o amanhecer do sol sobre a montanha alva onde a neve brilha e o frio nos faz arrepiar a pele e onde o abraço tem um sentido quente de conforto.
Separa-nos uma linha invisível e a distância entre o tu e o eu. Existimos os dois por dentro da memória num lugar recôndito e secreto, onde o tempo não avançou e somos crianças de novo.

Ensinas-me a tabuada e eu ensino-te as palavras imaginadas, num jogo de apanha apanha, de toca e foge, e eu, sempre que te tocava, era uma corrente eléctrica que me atravessava. Pena que nesse tempo tudo era novo e a única luz nas trevas era a candeia de azeite a tremeluzir.
Ainda sinto o cheiro do azeite a arder e na pele o cheiro da madeira de carvalho a crepitar na lareira.

Faltam-me as memórias da tua seara, dos cachos dos teus cabelos loiros como espigas ondulantes, o som do teu sorriso, o contorno dos seios arrebitados ao vento que eu contemplava em contra luz quando sensual, tu, te entrepunhas entre o entardecer do sol e o meu olhar perdido. Nesse tempo existia a inocência em nós e todos os pequenos gestos eram brancos, puros como a cor do amor.

Faltam-me o fogo e o folego e as palavras hoje. Tudo se confundiu quando os nossos corpos se encontraram na beirada do rio. Lembras? E as minhas mãos te tocaram a pele das costas, os seios e os lábios sôfregos se colaram num amplexo novo de excitações e calafrios electrizantes.
Eras uma espécie de perola, sim, tens razão, uma espécie de perola rara que profanei, espécie de templo secreto na margem do rio ao sul de nós. Perdemos a inocência pura e o amor deixou de ser branco e tingiu-se de cores rubras. Nesse dia choveu, e vimos um arco iris a rasgar o céu e fomos á procura do pote de ouro que estava escondido debaixo da outra ponta do arco.

Perdemo-nos os dois na floresta. Crescemos. Partimos. Dou-me conta que foi a ambição do ouro que nos perdeu. Tu eras o metal puro á distância da ponta dos meus dedos. Tu eras o tesouro escondido que sempre estiveste á vista, e eu cego não sabia ver-te até ao dia em que deixamos a inocência desaguar no mar. Ai era demasiado tarde. O nosso olhar confundiu-se e o rubor tingiu a tua face e os teus olhos afastavam-se dos meus e os meus dos teus, e eu ao longo da vida nunca mais soube olhar olhos nos olhos com medo de encontrar os teus outra vez.

Nem sei por onde começar.

Os lugares não existem já, destruíram a montanha e agora um risco de alcatrão largo separa as duas partes.

João Marinheiro 
São Paio de Antas Novembro 2013
Fotografia de Barcoantigo em 2013
 

domingo, novembro 03, 2013

da ausência...


Quero dizer-te que a tua falta também me incomoda.

A tua falta também me incomoda porque a sinto.

E as madrugadas são longas agora que se aproxima o equinócio de inverno em nós.

Também te quero dizer para que saibas que gosto de receber cartas. Dou-me conta que não recebo cartas faz anos por não ter um porto de abrigo certo. Um endereço postal, um sítio. Dou-me conta.

É bom escrever. Muito bom escrever, mesmo que seja uma carta a um anjo viajante.

Faz tanto tempo que abandonei a escrita em mim, e é preciso que me empurres para voltar às palavras sentidas.

Tens razão, por vezes na loucura que me assiste ando por ruas sem sentido. Os sentidos são os das emoções do corpo, e esse repousa como o velho barco na praia alquebrado.

Observo de longe, sou um espectador furtuito, de ocasião.

O velho lobo-do-mar arfa aflito, o peito dói, o ar não chega para oxigenar o coração. Doido, um dia deitou o coração ao mar, jogou-o borda fora por ser um coração inútil. A falta que lhe faz esse coração mesmo velho e inútil. O lugar dele era ali, bem dentro do peito, onde confluem todos os caminhos, todas as ruas de emoções. Que importa que sejam de sentido único ou em contra mão. Só se vive uma vez, só estamos no exacto momento no milionésimo de segundo no universo imenso do cosmos, uma única vez. E quando os olhos se encontram acontece um milagre, se é que existem milagres, ou se expliquem. O coração desacerta-se arrítmico, e todas as estradas e caminhos são agora avenidas que terminam numa imensa rotunda onde circulamos de mãos dadas em sentido contrário. Os olhos aninham-se uns nos outros e o momento é único. No céu um traço de luz rasga a noite, uma estrela cadente, um desejo, um segredo. Uma jura de amor. Para sempre!

Observo a transformação operada. Cismo. Para sempre é demasiado tempo…

Todos os anjos viajam, para isso tem asas alvas de brancura e brisas leves em nuances perfumadas que deixam rastos, traços de luz, ardência no mar nos dias de lua.

Por vezes eu próprio não sei se serão anjos ou ninfas ou sereias no meio do mar alto, a imensidão húmida que se entranha na pele. Por vezes imagino o toque da pele e a medo estendo os dedos até ao teu contacto breve, electrizante. Então no universo paralelo, imaginário, desabam os trovões e os raios de luz caem dos céus plúmbeos mergulhando no mar e centenas de miríades de pequenos flocos de luz tingem o mar em prata e ouro. As sereias de longos cabelos entoam cânticos enquanto os golfinhos volteiam em acrobacias fantásticas de alegria e suprema sabedoria.

Sente-se no ar e na brisa o aroma dos sargaços, o cheiro do sal, a humidade do mar cola-se na pele como uma segunda pele e o corpo arrefece. O tempo avança monótono e certo na ampulheta, grão a grão, em voltas e reviravoltas.

Por vezes eu próprio não sei do tempo deveria saber, deveria saber olhar o tempo como se olha o horizonte a descortinar uma vela. O mar já não tem velas, é por isso que perdi a noção do tempo. Abandonei os barcos. Foi isso.

Nunca me perdoaste. Abandonei os barcos e abandonei a luta pela sobrevivência dos pequenos e frágeis barcos tradicionais…

Observo o tempo agora a reencontrar o saber e chove.

Pequenas gotas frias que percorrem a vidraça em sentido descendente até formarem lagos confinados ao chão. Parecem rios. Parecem lágrimas e os teus olhos surgem com estrondo por dentro dos meus alagados.

Não quero que chores, as tuas lágrimas são preciosas perolas e eu não mereço perolas. A dor que sinto é uma dor antiga, portanto não me incomoda já, coabita em mim. Não quero que chores a minha ausência, porque um dia volto, cíclico como as estações do ano ou o ciclo das marés.

Preciso de me reconstruir como se reconstrói um barco. Tabua a tabua no lugar certo. Calafetar o coração com estopa e breu, tapar todas as juntas. Vistoriar o casco, as obras vivas e as obras mortas. O velame. O poleame. Levantar ferro, armar pano, afeiçoar ao vento depois deixar ir, navegar rumo ao alto mar num bordo espaçado e longo, preparar o regresso.

Sei o caminho de volta, todos os velhos lobos-do-mar, tem as estradas e os caminhos escritos nas estrelas, as marcas, as conhecenças a terra numa derrota estimada numa navegação á vista. Todos os lobos-do-mar sabem o norte e a declinação magnética. Os azimutes na carta, os rumos, os desvios da agulha, a altura do sol, os sinais, o voo das aves. Só os mascatos voam, voam, voam, milhares de milhas sem regressarem a terra, só eles nos confundem, porque às vezes nos parecem anjos, só as asas são de cor alterada, mas á distância de terra é só um pormenor pequeno.

Só os teus olhos são as luzes do farol que nos guia na noite, os viajantes do mar. Se os apagas como encontro as marcas do enfiamento á barra para regressar ao meu porto de abrigo em segurança?

João Marinheiro

São Paio de Antas Novembro de 2013.
Fotografia de Barcoantigo em 2013

sexta-feira, março 29, 2013

insónia...


 
Não sei quantos dos dias ainda serão de chuva,
Não me importo que seja uma primavera adiada
As flores se atrasem a desabrochar
As noites são longas em mim
Não consigo vencer a falta de sono o desassossego interior
 
Por vezes dormes ao meu lado
Por vezes desenho-te de memória na cama
E percorro as tuas costas com beijos ternos
Por vezes acordas e dás-me um abraço apertadinho
Ficamos aninhados um no outro
Adormeço por fim…
 
Mas tudo é irrealidade em mim
Tu, a tua silhueta, a tua pele
As formas do teu corpo despido
Os cabelos na almofada desalinhados
As tuas mãos abertas...
 
 
E os beijos
São como gotas da chuva que escorre na vidraça fria
Não passam de criações do cérebro cansado
O desassossego interior
O livro aberto sobre a cama
A falta de sono…
 
 
 
 
João marinheiro Ineditos 2013
 
Fotografia de António Mizael www.olhares.com

sexta-feira, março 22, 2013

no dia de hoje...


Estou por aqui fazendo tempo…
Perguntas: como se faz o tempo?
Esperando. Respondo distraído
Esperando…
Perguntas-me onde moro
Respondi-te.
Dizes que agora não pertenço a viana
Pertenço a Braga
Sim
Sempre pertenci a Braga
E agora voltei
Finalmente como os velhos barcos de regresso ao porto que o viu partir
Tive sorte
Regressei
Quem sabe para morrer na praia de seixos e ventos que um dia povoaram a minha infância…
 João Marinheiro
Ineditos 2013, São Paio de Antas
Fotografia de Barcoantigo 2012

quarta-feira, março 13, 2013

murmurios...


Desacertas-me
Desconcertas-me
Apaixonas-me
E isso é que é complicado...
João Marinheiro 2013
Fotografia da Net